Notícias fundação Shunji Sishimura

30/04/2019

FITOPATOLOGIA

FITOPATOLOGIA

Agricultura

No final do mês de fevereiro, aconteceu o 41º Congresso Paulista de Fitopatologia, na cidade de Marília/SP, realizado pela Fatec Shunji Nishimura e promovido pela Associação Paulista de Fitopatologia. O evento contou com a participação de pesquisadores renomados do Brasil e do exterior na área de fitopatologia, com a presença de congressistas de 12 estados, que apresentaram mais de 200 trabalhos científicos na área de doenças em plantas. Assim, gostaria de destacar nesta coluna os principais pontos fitopatológicos atuais apresentados e discutidos durante o congresso.

Na cultura da soja, dois pontos fitopatológicos chamaram a atenção. O primeiro foi sobre a ferrugem asiática, com uma grande preocupação dos fitopatologistas em relação à ineficácia dos fungicidas atuais. O uso intensivo de ativos que apresentam o mesmo sítio de ação sobre o fungo tem levado a uma pressão de seleção sobre a população do patógeno para biótopos mais resistentes, dificultando o seu controle. Tal fato merece bastante atenção de pesquisadores, produtores e empresas produtoras dos defensivos, visto que o desenvolvimento de novos ativos fungicidas para a agricultura a cada dia se torna mais difícil e oneroso. O fato é que não há, a curto prazo, uma solução para o problema, sendo a principal alternativa para os agricultores a utilização de ativos de amplo espectro de ação em associação com os tradicionais triazois e estrobilurinas.

O segundo ponto em relação à soja está relacionado aos problemas fitopatológicos de solo, principalmente aos nematoides e fungos de solo. No caso dos nematoides, o caso já foi abordado aqui em um texto anteriormente, contudo, é crescente a preocupação sobre eles que a cada dia se agrava mais nas lavouras de soja brasileiras. Juntamente com os nematoides vem o problema de fungos que, em associação com os nematoides, ou até mesmo sozinhos, têm trazido danos anteriormente não detectados. A indicação apresentada neste painel sobre as causas da moléstia foram questões colocadas pelos pesquisadores e que apresento para reflexão de todos, a saber:

* “Será que estamos melhorando as plantas para um alto potencial produtivo e nos esquecendo da rusticidade?”

* “Não seria melhor plantarmos um material mais rústico, com potencial de 70 sacas por hectare ao invés de 100 sacas?”

* Acontece que materiais com potenciais produtivos acima de 100 sacas por hectare têm produzido 20 a 30 sacas devido aos problemas de solo e isso pode ser falta de rusticidade.

Outra questão a destacar, embora esteja mais relacionada aos estados de São Paulo e Minas Gerais, é referente ao greening nos citros, que foi bem elucidado pelo professor Bergamin Filho, com o nome de huanglongbing (HLB), em referência ao nosso problema estar mais relacionado ao problema chinês do que o da África do Sul. Sem dúvida não há nada mais sério e mais desastroso à citricultura do que essa doença, cultura que, historicamente, já sofreu com muitas outras doenças de difícil combate, como a tristeza dos citros, cancro cítrico, amarelinho, entre outras. Segundo as pesquisas apresentadas, ficou claro que a melhor forma de combate ao huanglongbing é a integração dos agentes interessados na citricultura do que a ação isolada de um simples produtor de laranja. O manejo da doença depende de ações conjuntas de todos os produtores de uma região e/ou estado, caso contrário, pouco se deve esperar de seu controle, que pode até inviabilizar a citricultura de uma região inteira.

No controle biológico de doenças, houve uma plenária sobre o tema Trichoderma como agente do controle de doenças, apresentado com a contribuição de pesquisadores do assunto da Espanha. Esse fungo, habitante do solo, tem sido muito estudado por nós também, uma vez que já possuímos produtos formulados e registrados com o microrganismo para o uso na agricultura brasileira. A sua ação principal é pelo antagonismo/competição com outros fungos do solo, notadamente aqueles parasitas de plantas, como os seguintes: Fusarium, Verticillium, Rizoctonia, Sclerotium etc., que são agentes causais de doenças como o tombamento de plantas, a podridão de raízes e murchas vasculares. A principal mensagem deixada nessa temática foi que o sucesso do Trichoderma dependerá do sucesso da planta, que condiciona as características necessárias para a ação do fungo contra os demais fitopatogênicos. Ficou evidenciado pelas pesquisas que, se as plantas estiverem estressadas, haverá pouco efeito do Trichoderma no combate aos patógenos.

Do ponto de vista tecnológico, foram apresentados trabalhos sobre algoritmos para a predição da ferrugem asiática da soja, sistemas inteligentes no apoio integrado de proteção de cultivos (Big Data e IoT), formas de como a telemetria das máquinas agrícolas pode auxiliar os agricultores no combate às doenças de plantas e o uso de drones para a avaliação de estresses em espécies florestais.

 

Carlos Eduardo de Mendonça Otoboni
Engenheiro agrônomo, mestre e doutor em Produção vegetal, pesquisador em Nematologia Agrícola e de Precisão em Proteção de Plantas, professor e diretor da Fatec Shunji Nishimura.
 
Fonte: Revista A Granja - Atuante, Atualizada, Agrícola – Abril/2018 nº832 Ano 74
 

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